23.12.13

23 de dezembro I Elisa Lima


autora. Elisa Lima
título. as 1001 estórias




 Este ano trouxe a espreitar à janela um bule de café vindo das Arábias, mais precisamente da Arábia Saudita, onde vivi os últimos 2 anos.
 Nesta sina de nómada que já prevalece há 15 anos, este capítulo foi sem dúvida aquele onde o choque cultural foi de facto isso mesmo, um choque, que nos paralisa por momentos e não sabemos mais como proceder. Desaprendemos tudo, voltámos à estaca zero, e todas as nossas referências culturais deixam de fazer sentido.

 Esse foi o 1o choque. Mas houve um 2o e com um impacto para mim muito mais profundo. Para alguém de “sangue cigano” como eu, que se identifica com esses povos desapegados a um único lugar, estava à espera de encontrar muitos mais vestígios desse mesmo sangue por lá, nessas suas origens. No entanto, a tradição e os valores do passado estão cada vez mais enterrados por baixo dum deslumbramento com culturas ocidentais onde a ostentação e o poder material é, muito desapontadamente, o que comanda a vida. E um povo que já transpirou vitalidade, foi forte, humilde e desapegado, está a tornar-se num povo preguiçoso, gordo, altivo e extremamente sedentário.

 A raça humana no entanto, é uma espécie só e por baixo de todas essas camadas externas estão sempre preocupações idênticas e a luta pela vida e pela sobrevivência. 
Encontrei por isso e também muita generosidade, inocência, simplicidade e claro, retribuída curiosidade.

 A liberdade de expressão e da arte está aos poucos a instalar-se nesta cultura Árabe moderna e tive o privilégio de poder ter assistido à 1a Jeddah Art Week de sempre no país, onde várias galerias de arte abriram, debates aconteceram, e por fim se respirou um aliviante ar de mistura entre o antigo e o novo.
 A revista de Artes e Cultura chamada Oasis e para a qual escrevo, continua a publicar artigos muito interessantes e que testemunham os princípios de mudanças muito positivas e revolucionárias nesta cultura.

 Três ideias que me vêm à cabeça quando me lembro de Riade?
Luz imensa, sensação de espaço, cultura monocromática: branco para os homens, preto para as mulheres e bege em todo o redor, no deserto, nos edifícios e nas decorações interiores.

texto: Elisa de Lima




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