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14.3.14

de pernas para o ar...


apesar de estar anunciado que esta instalação à janela estaria assim, de pernas para o ar, até dia 28 de Fevereiro, a verdade, como alguns já constataram, apenas hoje esta janela deixou de estar assim. as gotas de água recolheram-se. Ela deixou de estar de pernas para o ar. o guarda-chuva recolheu-se também para outro lugar. a janela ficou de novo despida de histórias mas novas histórias vão chegar para espreitar por esta janela da cidade de Braga.


[em nota de rodapé. Ela deixou de estar de pernas para o ar mas parece que esta Rua da Cidade continua de pernas para o ar e não é por falta de avisos repetidos dos comerciantes e da vizinhança. será que andam TODOS distraídos? é triste como continua a ser comum ter de acontecer algo mais "aparatoso" para TODOS prestarem mais atenção. nessa altura TODOS querem chegar primeiro muito preocupados e prontos a agir]

6.2.14

Guarda a Chuva I instalação à janela



 o novo ano começou um pouco cinzento e com gotas de chuva. 

 algumas gotas de chuva caíram no parapeito da janela logo pela manhã do dia  primeiro de janeiro do novo ano de 2014. gotas de chuva a desejar os bons dias e que continuaram a desejar nos dias a seguir. preciosas gotas de chuva. eu preciso de gotas de chuva para dar de beber aos meus sonhos e desejos e assim continuar a criar de todas as formas e feitios. mesmo que seja de pernas para o ar. mas a chuva que rega a cidade já cai em demasia. são vários os guarda-chuvas que se amontoam nas ruas da cidade. torcidos. quebrados pelo vento. deixados ali e acolá porque já não servem como dantes. o meu guarda chuva continua à janela. espreita os que passeiam pelas ruas. espreita os que são quase levados pelo vento. 

 já quase nem me lembro do primeiro dia de sol deste ano. esse dia de sol assinalado aqui na cidade onde vivo. lembro apenas que esteve assim poucos dias depois desse dia primeiro do ano. mas parece que já faz tanto tempo. já quase nem me lembro desse dia de sol. porque nesse dia de janeiro fez-se sol. mas já faz tanto tempo... há uns anos atrás janeiro foi todo ele solarengo e sei disso porque choveu apenas e só num único dia. por ter sido num dia de celebração especial para mim nunca esqueci que esse ano começou com sol e assim esteve durante todo o mês de janeiro. todo não. todo menos um. mas este ano tem sido muito diferente. quase sempre dias de chuva. mas nem sempre os dias de chuva são realmente dias de chuva. este ano é certo que o mês de janeiro foi muito bem regado, por isso podemos esperar que muita coisa floresça durante o ano. 

 Guarda - a - Chuva é a instalação que coloquei à janela durante o mês primeiro e que até dia 28 de fevereiro por aqui vai estar. quem passar nesta rua da cidade vai encontrar uma janela de chuva que significa esperança. um simples apontamento criativo para dar cor, luz e algum encanto à cidade e às pessoas que nela vivem e que até cá vêm passear... mesmo que venham passear em dias de chuva... não tarda nada vão-se transformar em dias de sol... assim esperamos que esses dias estejam para chegar.

 nesta janela semeei algumas gotas de água. ao fazê-lo lembrei-me das pequenas gotas que habitam pequenas caixas que guardam histórias da chuva.  pequenas caixas que criei para a Colecção “Histórias de Guardar a Chuva”, do projecto Água Musa que integrei em 2012 junto com outros 18 criadores e uma equipa de designers. um projecto desenvolvido com o apoio fundamental da ADXTUR. 

 semeando estas gotas de chuva nesta janela senti-me dentro de uma dessas caixas rodeada de um encanto que não existe apenas em histórias de encantar. encantos que encontro em simples dias... em momentos que são definidos grandiosamente por pequenos instantes. e eles também existam em dias de chuva. 

 “está a chover na tua casa” disseram-me pelo telefone por estes dias. “tens de colocar um apontamento novo à janela para ver se trazes o sol. já chove há dias a mais!” disseram-me também no outro dia.

 às vezes junto-me à chuva mas hoje mesmo com chuva a cair do lado de fora da janela não choro como ela. mesmo com gotas de água suspensas nestas janela aqui dentro entrou o sol. os dias aqui dentro têm sido de sol. já se alinhavam com linhas desenhadas a grafite e com as agulhas de costura novos projectos. é bom mantermo-nos em movimento. do mesmo lugar podemos ir a tantos outros lugares... e este ano tenho vontade de fazer muitas coisas. vontade de agarrar com mais vontade ainda este desejo de criar. mesmo quando outros, por falta de esperança, tentam arrancar os sonhos daqueles que continuam a sonhar. aqui nascem ideias. aqui continuam a nascer ideias. nascem vontades de acontecer de diversas formas e feitios mesmo que sejam de pernas para o ar. este ano vou por tudo de pernas para o ar. e de pernas para o ar é como estou aliás à janela. nesta janela. a escultura de pano que desenvolvi em 2009 para o Prémio Nacional de Artesanato e que é um auto-retrato trimensionado com tecidos e linhas, já habitou tantos outros lugares mas até dia 28 de Fevereiro está aqui, nesta janela voltada para a cidade a qualquer hora do dia. um guarda-chuva que em tempos também já habitou outros lugares completa este cenário criado à janela. o momento em que do céu se recolhem algumas gotas de chuva. Guarda - a - Chuva é um apelo ao simples e preciso verbo guardar. guardar o que de mais precioso temos em nós. guardar o que de mais precioso nos define. guardar o que de mais precioso podemos partilhar com os outros. o belo que existe em tantas coisas. o belo que se manifesta de tantas formas e feitios. o belo dos instantes que se definem pela grandiosidade de serem tão pequeninos.

 este ano vou por tudo de pernas para o ar... e janeiro renova em mim o forte desejo de continuar...


by Vânia Kosta

outros apontamentos ligados... pela chuva


 segundo Vânia Kosta, a autora que habita a janela este mês, o objecto Guarda-Chuva sempre foi mágico para ela. na nossa janela continuam as gotas de água e lá fora também não param de cair.

 por estes dias temos perguntado muitas vezes quando chegam os dias de sol... gostamos de dias de chuva mas não como estes que persistem e que têm regado em demasia a cidade. os guarda-chuvas torcidos e quebrados pelo vento amontoam-se nas ruas da cidade. o nosso continua à janela a apanhar gotas de chuva desejando no entanto ser abraçado pelo aconchego dos raios de sol o quanto antes.

 hoje, aqui e em ligação com esta instalação à janela - Guarda a Chuva, fazemos a ponte com outros apontamentos criativos que já foram partilhados noutros lugares e noutros tempos pela nossa vizinha deste mês e que espreita a cidade da nossa janela.



 Se eu tivesse um guarda-chuva mágico

 Se eu tivesse um guarda-chuva mágico... podia voar até às nuvens.
 Gostava de ver as casas pequeninas e as pessoas como umas formiguinhas passeando de um lado para o outro.
 Quando eu fosse para casa não levava os sapatos molhados e a minha mãe não me ralhava.
 Eu gostava de ter um lindo guarda-chuva mágico.

[Vânia Kosta - composição ilustrada no ano escolar de 1988/1989]



 A alegria dos meus dias de chuva

 por estes dias reencontrei este apontamento. uma pintura a guache criada nos meus felizes sete anos. olho sempre maravilhada para os desenhos que criei noutros tempos. fico igualmente contente porque o tempo não se perdeu nestes apontamentos fantásticos que sempre que desejo posso voltar a lembrar. e porque por estes dias a chuva visitou-nos por aqui, quando olhei esta pintura senti um forte desejo de a partilhar. é verdade que os dias de sol voltaram e hoje está particularmente brilhante mas resolvi aguardar pelo dia de hoje para fazer esta pequena partilha... porque este apontamento nascido das mãos de uma criança, abraça uma simples e luminosa emoção que deve ser partilhada... a alegria de um simples dia de chuva. feliz dia mundial da criança. 

(em dedalnodedo.blogspot.com - 1 de junho 2013)

30.1.14

instalação à janela I Guarda a Chuva





 a instalação (de pernas para o ar) intitulada "Guarda a Chuva" de Vânia Kosta continua à janela e pode ser vista desta rua da cidade até dia 28 de Fevereiro. 

13.1.14

Guarda a Chuva I Vânia Kosta



 até dia 28 de Fevereiro temos uma nova história à janela. 

 "Guarda a Chuva" é a instalação (de pernas para o ar) da autora Vânia Kosta. uma personagem de pano, do tamanho de gente de verdade e que é aliás um auto-retrato tridimensionado com tecidos, pontos e linhas desenhadas não com a ponta de um lápis mas com a subtileza de uma agulha de costura. uma personagem de pano criada em 2009 para o Prémio Nacional do Artesanato com o tema “Fios, Teias e Tecidos” e que foi seleccionado para representar a Região Norte do País na mostra em Exposição que decorreu na FIA - Feira Internacional do Artesanato de Lisboa, no Parque das Nações em 2009. esta personagem intitulada “ salpicada sobre a silhueta desta personagem, são diversos os apontamentos de cor que contam a estória de um universo de pano que nos fala através da linguagem do coração” conquistou sorrisos e continua a povoar lugares. uma escultura onde os tecidos e as linhas são protagonistas. uma personagem que no seu todo é significativo do universo que a autora tem vindo a desenvolver desde que iniciou o seu Projecto de Design e Criação de Personagens de Pano em 2005. 

 até dia 28 de Fevereiro a autora está de pernas para o ar numa janela da cidade de Braga... lá estará a tentar apanhar gotas de água com um guarda-chuva que já fez aliás também algumas aparições noutros lugares. o guarda-chuva que já pertenceu à sua querida avó. o guarda-chuva que saiu à rua noutros tempos e que agora pertence aos seus objectos mágicos que por estes dias está à janela.

 a instalação “Guarda a Chuva” não é apenas uma personagem de pano. não são apenas algumas gotas de água que caem do céu. não é apenas o objecto guarda-chuva ... esta instalação à janela é sim um apontamento que carrega em si uma mensagem que todos deveríamos Cuidar o um verbo. Guardar

[em breve a história desta instalação no BLOG]