7.12.12

*7 de dezembro*


autor. Eduardo Kosta
titulo. s/título



[técnica. objecto lanterna ferroviária] 


 A nossa vida está preenchida de objectos. Naturalmente que ao longo das nossas vivências diferentes objectos as vão sublinhando de significados, de reflexos, enfim, de imagens. 

 Para esta "Janela" a escolha recaiu numa velha lanterna dos Caminhos de Ferro. 

 Desde a minha meninice os comboios e a sua mística me acompanharam como um desejo de os transformar em minha pertença. Máquinas fabulosas, ruidosas e fumegantes, que preencheram todo o meu imaginário. Pois, ainda sou do tempo dos comboios a vapor! 

 Havia (digo havia porque não sei se ainda existe) na estação de S. Bento, no Porto, um lindo modelo de comboio a vapor, muito realista, que se movia com a introdução de uma moeda. Sempre que por lá passava, com a minha mãe, teimosamente queria passar por ele e, sempre que conseguia... Era mesmo fabuloso aquele comboio. 

 Esta lanterna está comigo há mais de trinta anos. Foi um objecto adquirido quando regressei de Angola, já não menino, mas ainda com o desejo de ter algo relacionado com os comboios. Ela é o elo de ligação à memória do meu avô materno, que não conheci, e que foi chefe principal da estação de S. Bento. 

"Nova viagem vai começar 
e o comboio vai partir,
sempre a apitar,
vai a fugir." 

texto. Eduardo Kosta


[o meu bisavó ferroviário]

6.12.12

*6 de dezembro*


autor. Márcio Décio
titulo. Afinações


[técnica. objectos guitarras nas suas caixas, palhetas e bobine de fita de gravação]

 "Neste fim de século e fim de milénio, os deuses estavam cansados e os calmantes já não faziam efeito. Nunca, para escapar ao abalo das novidades ruins, tinha sido tão grande a necessidade de música. Só ela sabia pegar-nos pela mão, quando caía a tarde, ajudar-nos a transpor sem demasiada angústia o pélago da noite."
"História do Mundo em Nove Guitarras" - Erik Orsenna

 Assim saltam à vista, na janela deste dia 6 de dezembro, para quem passa na rua, os elementos que proporcionam e nos satisfazem a "grande necessidade de música".

 Venha-os descobrir!

texto. Márcio Décio



4.12.12

*5 de dezembro*


autora. Kerstin Thomas
título. andorinhas de inverno



[técnica. escultura em madeira de castanho e ferro]

Fazendo parte da colecção " ONE MAN'S TRASH IS ANOTHER MAN'S TREASURE", estas duas andorinhas, no Inverno das suas vidas, resolveram ficar cá, sentadas no quentinho à lareira numa asa duma panela de ferro.

texto. Kerstin Thomas

[para venda. 95€ , mais informações vaniakosta@gmail.com]

*4 de dezembro*


autor. Helena Zália
título. s/título

[técnica. técnica mista]

 A arte da costura remete para as minhas primeiras memórias de infância. Diariamente via a minha mãe usar artefactos que me despertavam uma enorme curiosidade. Os tecidos1, linhas, agulhas, tesouras e dedais ocupavam constantemente as suas mãos … os seus pés sempre em movimento, num ritmo ora mais lento, ora mais acelerado, no pedal da máquina de costura de um verde azeitona2 … e eu via crescer uma saia, um casaco, uma blusa, um pijama, …, por vezes um vestido para as bonecas :D. 

 Outras vezes usava umas rodas finas de madeira, que se encaixavam duas a duas para prender o tecido,  e umas linhas muito coloridas, em meadas ou em carrinhos de linhas matizadas3, e surgiam dali formas bordadas que me deixavam com os olhos esbugalhados e o coração a abarrotar de felicidade. As revistas de moldes e “feitios” andavam sempre cá por casa, e de certeza que foi este o primeiro contacto que tive com desenhos e ilustrações. E nasceram daqui várias paixões que se expandiram em várias direcções. 

 Esta peça criada agora por mim, tenta representar tudo isto, sobretudo o carinho entre uma mãe e uma filha e a transmissão geracional de conhecimentos, e em simultâneo transcender estes momentos de criança. 

 A forma circular4 como a nossa envolvência e a busca de algo mais perfeito, os retalhos que dão forma ao nosso ser, as linhas que nos ligam aos outros e ao mundo, os nossos corpos5 vestidos e despidos, as roupas que expõem, e quase sempre escondem o nosso eu mais íntimo6. E no fim … um carrinho de linhas pendurado que ultrapassa estes limites formais e que se vai desenrolando dia após dia.

1 – Tecidos de fabrico português, muitos deles produzidos nas fábricas têxtéis do Vale do Ave.
2 – Máquina de costura OLIVA (produzida em S. João da Madeira).
3 – Geralmente, linhas Âncora da Coats & Clark, Cia, de fabrico português.
4 – Bastidor (marca OLIVA)
5 – Boneca de fabrico português
6 – O artigo Debaixo da roupa, estamos todos nús de José Luís Peixoto também me inspirou nesta criação

[Nota: tive uma preocupação em usar nesta criação objectos de fabrico português, alguns dos quais fazem parte da minha infância e já ultrapassam os 40 anos de existência

texto: Helena Zália

3.12.12

*3 de dezembro*


autor. Criação Teatro e Marionetas de Mandrágora
título. personagens do espectáculo "Histórias da velha aldeia" (espectáculo inspirado num conto tradicional romeno. data de estreia, Novembro 2002)

[técnica. marionetas] 


 A partir da memória dos contos narrados à volta da lareira, entre o universo mágico do onírico e a realidade, entre o religioso e o pagão, nasceu este conto sob a forma de espectáculo de marionetas. Histórias da velha aldeia foram a segunda criação da companhia Marionetas de Mandrágora inspiradas num conto tradicional romeno. 

 É um prazer habitar esta janela adentro, povoar um espaço que simbolicamente ganha a vida que estas personagens narram, histórias que podem contar mesmo imóveis. 

 A companhia Teatro e Marionetas de Mandrágora foi construída em 2002, e desde essa data que tem apresentado as suas propostas teatrais ao público intentando a cada hora novas explorações técnicas, cénicas e dramatúrgicas, procurando novos modos de interpretar, de manipular, de construir e de iniciar a criação a partir de pontos de partida distintos. 

 Estamos ao fim destes dez anos numa casa, belíssima, o Fórum de Arte e Cultura de Espinho, um amplo espaço voltado para a Cultura, com distintas espaços de exposição, o museu municipal  e iniciativas formativas, deixando desde já o convite para que desta janela nos possam visitar. 

 O teatro das marionetas é o expoente do universo simbólico, sendo também a metáfora escultórica e dramática das nossas vidas e do nosso modo de estar e pensar.

 Será natural pensar que a marioneta abrange distintos públicos, quer sejam os mais pequenos, quer sejam as famílias, quer muitas vezes criando restritamente para um universo adulto, onde a ponderação sobre a nossa sociedade se expõe.
Dentro desta equipa existem vontades distintas, interesses distintos, mas um igual empenhamento na construção de um diálogo com o público através do teatro das marionetas. 

Raízes da mandrágora: Clara Ribeiro, enVide nefelibata e Filipa Mesquita 

texto: Filipa Mesquita

2.12.12

*2 de dezembro*


autora. Helena Santos
título. Movimento em Vermelho

[técnica. técnica pessoal em papel e arame]

Formas aleatórias, cor de vida em gesto largo alongam-se, abraçando o espaço.

texto: Helena Santos


1.12.12

*1 de dezembro*



autor. Elisa Arnaud
título. "Layers"

[técnica. pintura em madeira, tipografia carimbada, "assemblage" de objectos variados [que fizeram pare de outros projectos do atelier em 2012]

Alguns trabalhos marcam o nosso percurso e assumem-se como novas oportunidades... são desafios que nos afastam da "zona de conforto" e nos levam a experimentar novas técnicas, linguagens e mostram que afinal os caminhos são muitos e diversos. Os objectos contam episódios da nossa história do ano 2012, fazendo também a ligação ao espírito natalício.

"Today is a good day" é o lema inscrito no meu atelier porque todos os dias são especiais e luminosos.

texto: Elisa Arnaud